Por que ainda não há uma vacina contra o câncer?

O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo, representando um grande desafio não só para os sistemas de saúde públicos e privados, mas também para as pessoas. Mas, diante de tantos avanços na oncologia ao longo dos anos, por que ainda não temos uma vacina contra o câncer? Vamos saber mais sobre este assunto.

Complexo e multifatorial, o câncer não é uma doença simples

Causado por diferentes fatores, o câncer abrange mais de 200 tipos de doenças malignas nas quais ocorre uma multiplicação desordenada das células que, por sua vez, se “camuflam” no organismo, fazendo com que o sistema imunológico não as identifique e assim não as ataque. E como a tarefa de identificar essas células tumorais não é nada fácil, o desenvolvimento de uma vacina universal contra todos os tipos de câncer é uma missão igualmente difícil.

Apesar de difícil, com os diversos avanços proporcionados pela pandemia de Covid-19 na produção de vacinas com base em um vetor viral, os resultados de alguns estudos já começam a se mostrar positivos.

Vacina contra o melanoma entra na última fase de testes

Por exemplo, em julho de 2023 os laboratórios Moderna e MSD anunciaram que o tratamento que estão desenvolvendo contra melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele – a combinação entre uma vacina e a imunoterapia Keytruda – entrou na terceira e última fase de testes clínicos. Segundo os dados do estudo, a combinação reduziu em 44% o risco de recorrência ou morte nos pacientes com melanoma em comparação ao uso somente da imunoterapia.

De acordo com os laboratórios, essa vacina inédita pode ser lançada em 2025.

Vacinas contra o câncer, tecnologia de mRNA e imunoterapia: qual a relação?

A tecnologia de mRNA, que ganhou visibilidade durante a pandemia de Covid, é a esperança na produção de vacinas contra o câncer. Isso porque as vacinas oncológicas são uma forma de imunoterapia, induzindo o sistema imunológico a criar células de defesa (as chamadas células T antitumorais, específicas de acordo com o tumor), atuando como uma terapia personalizada e direcionada.

Para os especialistas, quando combinadas a medicamentos – como a terapia desenvolvida pela Moderna e pela MSD – as vacinas, além de ampliarem a defesa do sistema imunológico contra os tumores, podem resultar em uma nova classe terapêutica contra o câncer.

Ainda, o uso de adjuvantes imunomoduladores tem se mostrado uma estratégia promissora para ampliar a eficiência das vacinas nos diferentes tipos de tumores.

Vacina contra o HPV é eficaz e protege do câncer do colo do útero (e outros tipos)

Como alguns tipos de câncer estão associados à infecção por um vírus – o HPV, por exemplo, que pode causar câncer do colo do útero, câncer na vagina, vulva, no ânus, pênis, na orofaringe e na boca – a vacina é uma medida eficaz de prevenção. Por essa razão, é muito importante tomar a vacina antes do início da vida sexual. Entretanto, imunizar-se contra o HPV é extremamente importante em qualquer idade.

A vacina contra o HPV está disponível na rede particular e na pública (SUS), dentro do Programa Nacional de Imunizações (PNI), para:

  • Meninas de 9 a 14 anos;
  • Mulheres imunossuprimidas de 9 a 45 anos;
  • Meninos de 11 a 14 anos;
  • Homens imunossuprimidos de 9 a 26 anos.

Vacine seus filhos e proteja-os. Certamente eles lhe agradecerão no futuro.

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