É o que buscou analisar o estudo intitulado “Uso de alisadores e outros produtos capilares e incidência de câncer uterino”, publicado por White A. et al. no periódico Journal of the National Cancer Institute (leia aqui o estudo na íntegra) , em outubro.
Sabe-se que os produtos químicos para tratamentos capilares podem conter substâncias perigosas, com propriedades cancerígenas e desreguladoras do sistema endócrino. Estudos anteriores descobriram que o uso desses produtos está associado a um risco maior de desenvolvimento de cânceres sensíveis a hormônios – como de mama e ovário. Neste trabalho foi investigada a associação desses produtos com o câncer uterino.
O que diz o estudo
Os autores examinaram as associações entre o uso de produtos capilares e a incidência de câncer uterino em 33.947 participantes, com idade entre 35 e 74 anos, por cerca de 10 anos. Durante este período foram identificados 378 casos de câncer uterino.
Por meio de questionários, as participantes relataram o uso de produtos capilares nos 12 meses anteriores – incluindo tinturas de cabelo, alisadores, relaxantes ou produtos de prensagem, além de permanentes ou produtos para ondular.
Os autores concluíram que as mulheres que usaram produtos para alisar os cabelos mais de 4 vezes ao ano tiveram um risco duas vezes maior de desenvolver câncer uterino do que as que nunca usaram esses produtos.
“Vários produtos químicos frequentemente identificados como constituintes dos alisadores podem contribuir para o aumento das taxas de incidência de câncer uterino. As concentrações de parabenos nos tecidos do endométrio e ftalatos em amostras de urina foram maiores em participantes com câncer de endométrio do que naquelas sem a doença.”
As mulheres negras representavam somente 7,4% das participantes do estudo, mas foram as que relataram um maior uso dos produtos (59,9%).
Como este é o primeiro estudo epidemiológico que investiga a relação entre o uso de alisadores e o câncer uterino, mais pesquisas são necessárias para confirmar os novos achados em diferentes populações.
Sobre o câncer uterino
Com mais de 6 mil novos casos por ano, o câncer do corpo do útero pode se desenvolver em diferentes pontos deste órgão, sendo o tipo mais comum o câncer do endométrio.
A doença – que é mais comum em mulheres na menopausa – tem como fatores de risco:
– Excesso de gordura corporal
– Diabetes
– Menarca (primeira menstruação) precoce
– Síndrome do ovário policístico
Manter o peso adequado e realizar atividades físicas são formas de prevenir a doença. Diante de sintomas suspeitos, como sangramento vaginal fora do período menstrual, dor pélvica e perda de peso, é preciso buscar ajuda médica.


