Tipos incomuns do câncer de pele e de melanoma fora da pele

Melanoma de origem fora da pele – em algumas situações raras, o melanoma pode surgir fora da pele, como nas membranas mucosas (revestimento das vias respiratórias, digestivas, urinárias) ou nos olhos. O comportamento dessas formas de melanoma é diferente, assim como a resposta aos tratamentos. No caso do tipo de melanoma ocular chamado melanoma uveal, o tratamento inicial pode envolver a aplicação de radioterapia local (braquiterapia) ou mesmo a retirada do olho.

Dermatofibrossarcoma protuberans – esse é um tumor bastante raro da família dos sarcomas (tumores de partes moles) que nasce na pele. Seu tratamento usualmente envolve uma cirurgia com margens amplas, e técnicas cirúrgicas diferentes, como a chamada cirurgia de Mohs, podem ser utilizadas. Em algumas situações, a radioterapia pode ser empregada após a cirurgia ou como forma de reduzir o tumor. Apresenta alta chance de voltar na região onde surgiu (recidiva), porém o risco de se espalhar (metástases à distância) é baixo. Esse tipo de câncer apresenta uma alteração em seu DNA muito característica, que permite definir o diagnóstico e que também confere sensibilidade a algumas terapias-alvo, como o imatinibe, que usualmente é recomendado

Tumor (ou carcinoma) de Células de Merkel – esse é um tumor bastante raro da pele, que ocorre mais comumente em pacientes acima dos 60-70 anos, e principalmente nos ombros, pescoço, face, ainda que possa ocorrer em outras regiões do corpo. Trata-se de um tumor que tem associação com um vírus em quase 90% das vezes – o poliomavírus de Merkel, recentemente descoberto. Outros fatores de risco incluem exposição solar intensa e problemas na imunidade. O tratamento inicial usualmente envolve cirurgia, com ou sem radioterapia, porém é um tumor com comportamento mais agressivo em alguns casos, com alta chance de se espalhar para os gânglios (linfonodos regionais) ou para outros órgãos (metástases) – daí a importância do diagnóstico precoce. Para os pacientes com doença avançada, ainda que a quimioterapia possa funcionar muito bem, viu-se uma revolução no tratamento com a incorporação da imunoterapia. No Brasil, o medicamento avelumabe se encontra aprovado para uso.

Tumores de anexos da pele – são tumores incomuns, que nascem de outras estruturas da pele, chamadas de anexos. Usualmente são tratados com cirurgia e, ocasionalmente, radioterapia. Em algumas situações, a investigação de síndromes hereditárias que aumentam o risco desses tumores está indicada. Para pacientes com doença avançada, devido à sua raridade, não existe um tratamento bem estabelecido, e opções quase que experimentais incluem quimioterapia e imunoterapia.