Outras dúvidas e mitos sobre o câncer de pele

– O que é o teste do BRAF?

Em aproximadamente metade dos pacientes com melanoma, o tumor apresenta uma mutação, ou seja, uma alteração em seu DNA, que serve de alvo para tratamentos específicos – essa é a mutação do gene BRAF. Ela é mais comum em pacientes jovens e naqueles que desenvolvem o melanoma em uma área que não foi cronicamente danificada pelo sol, porém não nos diz se o melanoma foi “herdado” através de uma síndrome hereditária. Há diferentes formas de se pesquisar essa mutação, e isso envolve uma amostra do tumor (biópsia). Caso presente, a mutação abre a possibilidade de uso da terapia-alvo com inibidores do BRAF e MEK: vemurafenibe/cobimetinibe, dabrafenibe/trametinibe e encorafenibe/binimetinibe (essa última combinação ainda não está disponível no Brasil). Esses pacientes com mutação do gene BRAF continuam podendo se beneficiar da imunoterapia.

– Depois do diagnóstico eu nunca mais poderei sair ao Sol?

Isso não é verdade. A recomendação é que a exposição seja cuidadosa, com algumas sugestões descritas abaixo

– Evitar os horários de pico de insolação, entre 10:00h e 15:00h;

– Intensificar o uso do protetor solar (fator de proteção superior a 30, com cobertura anti-UVA e anti-UVB), com aplicação 30 minutos antes da saída ao Sol e reaplicações em caso de exposição prolongada, ou após contato com água ou suor;

– Associar outros métodos de proteção, como chapéus, óculos, roupas com proteção UV, buscar sombras etc;

– Manter acompanhamento com dermatologista e atenção à pele.

– E a vitamina D?

A vitamina D é um nutriente importante para o uso de cálcio e fósforo pelo corpo, fundamental à saúde dos ossos e dentes, e seu metabolismo tem relação com a exposição solar. Porém, a vitamina D pode ser obtida através de outras formas, sobretudo alimentares, como peixe (exemplo: salmão é rico em vitamina D, assim como atum e sardinhas), ovos, cogumelos etc.

A relação da vitamina D com câncer e outras doenças é bastante controversa e mais pesquisas são necessárias. Alguns estudos demonstraram uma associação entre níveis baixos de vitamina D e maior incidência e mortalidade por alguns tipos de tumores. Porém, no maior estudo conduzido adequadamente, a suplementação de vitamina D não reduziu a chance de se desenvolver um câncer. Até o momento, as indicações de reposição de vitamina D permanecem restritas a pessoas com problemas nos ossos ou com deficiência comprovada de absorção.  Além disso, excesso de vitamina D também pode ser prejudicial à saúde, causando depósitos de cálcio nos rins, partes moles, coração, pulmões