O aumento no consumo de cigarro na pandemia e o câncer de pulmão

As estatísticas do tabagismo no Brasil de 2020

Numa rotina de estresse, ansiedade, inseguranças e incertezas, 34% dos fumantes brasileiros aumentaram o consumo de cigarros durante a pandemia segundo pesquisa da Fiocruz. Cerca

de 22,8% aumentaram a quantia em dez cigarros, 6,4% em até cinco e 5,1% em 20 ou mais cigarros. Foram ouvidos 44.062 brasileiros, de ambos os gêneros, de todos os níveis de escolaridade e faixas etárias a partir de 18 anos.

O cenário é preocupante não só porque o cigarro é um fator de risco para diversas doenças – desde as formas mais graves da própria Covid-19 até câncer de pulmão -, mas também porque tudo indica que o hábito permanecerá após a pandemia e trará mais complicações à saúde.

Cerca de 85% de todos os casos de câncer de pulmão estão associados ao tabagismo e, atualmente, 9,8% da população brasileira se declara fumante – ou seja, cerca de 20 milhões de pessoas. Fazendo as contas, então, o aumento no consumo de cigarros em 2020 pode atingir até sete milhões de fumantes. Trata-se de mais um grave problema para o sistema de saúde, que já atravessa a batalha contra a própria Covid-19.

O câncer de pulmão no Brasil

Tipo de câncer mais fatal no mundo, o câncer de pulmão é o terceiro mais frequente entre homens e o quarto entre mulheres no Brasil. E diante do aumento do tabagismo durante a pandemia do novo coronavírus em 2020, os índices da doença ganharam contornos ainda mais dramáticos: mais de 30 mil pessoas devem ser diagnosticadas com a doença, conforme levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

O câncer de pulmão costuma ter início assintomático e ser de evolução rápida- o que faz o diagnóstico ser tardio e as chances de cura serem reduzidas -, mas, quando os sintomas aparecem, assemelham-se aos de outras condições comuns ao trato respiratório. Por isso é fundamental a avaliação por um especialista em doenças pulmonares, ainda mais com o frequente acometimento pulmonar causado pelo coronavírus.

O problema é que, com as atenções voltadas à COVID-19, os sintomas de outras doenças passam despercebidos, são negligenciados ou adiados para o futuro. Nesse contexto, fumar pode ser ainda mais prejudicial do que normalmente já é.