Microplásticos e câncer: o que a ciência tem a dizer?

Os microplásticos (partículas plásticas menores que 5 mm) estão literalmente em tudo: no ar que respiramos, na água que bebemos e nos alimentos que consumimos. Por serem praticamente onipresentes, há crescente preocupação sobre seus efeitos na saúde humana, inclusive sobre sua relação com o câncer.

O que são microplásticos?

Microplásticos são fragmentos residuais de plásticos maiores ou partículas intencionais encontradas em cosméticos, embalagens e têxteis. Eles podem transportar aditivos químicos como BPA e ftalatos, além de poluentes ambientais, funcionando como “transportadores” de substâncias potencialmente tóxicas.

Existe ligação comprovada entre microplásticos e câncer?

Atualmente, não existe evidência científica direta e conclusiva de que microplásticos causem câncer em humanos. Nenhuma agência reguladora estabeleceu oficialmente um vínculo causal.

“Ainda estamos dando os primeiros passos para compreender de que maneira a exposição aos microplásticos impacta a nossa saúde, inclusive se há alguma relação com o câncer”, afirma o oncologista Thejus Jayakrishnan, especialista da American Society of Clinical Oncology (ASCO).

No entanto, pesquisas emergentes levantam questões importantes:

– Estudos experimentais indicam que microplásticos podem causar dano ao DNA, inflamação crônica e estresse oxidativo, todos fatores relacionados ao desenvolvimento de câncer.

– A presença desses fragmentos em órgãos e tecidos foi documentada, incluindo em pulmões e trato gastrointestinal, abrindo espaço para preocupações sobre efeitos a longo prazo.

– Estudos em modelos animais e células humanas sugerem associações entre microplásticos e processos que podem favorecer a carcinogênese, como proliferação celular descontrolada e alteração de mecanismos celulares.

Além disso, pesquisas indicam que alguns tipos de câncer, como mama, colorretal e pulmão, têm aumentado entre adultos com menos de 50 anos, o que levanta a hipótese de fatores ambientais envolvidos. Um dos suspeitos é o plástico, amplamente utilizado desde os anos 1950, ao qual as gerações mais jovens foram expostas desde cedo.
Porém, estabelecer uma ligação direta entre microplásticos e câncer ainda é um grande desafio científico.

Como reduzir a exposição aos microplásticos

Mesmo que os microplásticos estejam amplamente presentes no ambiente, é possível reduzir a exposição com escolhas simples no cotidiano. Entre as medidas práticas estão:

– Optar por vidro, aço inoxidável ou materiais biodegradáveis no lugar do plástico
– Não aquecer alimentos em recipientes plásticos, pois o calor favorece a liberação de microplásticos
– Utilizar filtros de água para diminuir a ingestão de partículas
– Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, que tendem a conter mais contaminantes
– Dar preferência a tecidos naturais, como algodão, linho e lã
– Escolher produtos de higiene e limpeza sem fragrâncias ou agentes esfoliantes, frequentemente associados à presença de microplásticos

Conclusão: precaução até que haja evidências concretas

Embora ainda seja cedo para afirmar que microplásticos causam câncer em humanos, as evidências iniciais justificam atenção científica e pública. A capacidade dessas partículas de persistir no corpo, promover inflamação e interagir com poluentes ambientais sugere que seu impacto à saúde merece investigação contínua.

Reduzir a exposição sempre que possível — optando por menos plástico e mais alternativas sustentáveis — é uma estratégia prudente para proteção da saúde no longo prazo.

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