Em 2020, em função da pandemia por coronavírus, um dos mais importantes congressos na área de oncologia – o AACR Annual Meeting, da American Association for Cancer Research – foi realizado, pela primeira vez, em formato inteiramente digital.
Durante o congresso, que ocorreu em 27 e 28 de abril de 2020, foram apresentados dois importantes trabalhos na área dos tumores de pele, que trazem novidades aos pacientes com melanoma.
Em um desses trabalhos, foram apresentados os resultados do uso concomitante da imunoterapia e terapia-alvo em pacientes com melanoma avançado e presença de mutação do gene BRAF. Trata-se de mais uma importante contribuição, uma vez que, até o momento, a imunoterapiae as drogas-alvo (inibidores do BRAF e MEK) são utilizados separadamente. Nesse estudo, pacientes receberam a combinação tripla, contendo o imunoterápico atezolizumabe em combinação ao vemurafenibe e cobimetinibe, ou apenas os dois últimos medicamentos (tratamento padrão). O uso da terapia tripla foi capaz de retardar a progressão do melanoma e prolongar a duração da resposta, porém a proporção de pacientes com resposta (redução do tumor) foi semelhante entre os braços. Não está claro, porém, o impacto dessa estratégia na sobrevida dos pacientes.
O segundo trabalho avaliou uma importante pergunta: se o uso da terapia-alvo de forma intermitente pode adiar a aquisição de resistência ao tratamento e prolongar o controle de melanoma. Nesse estudo, pacientes com melanoma avançado e mutação do gene BRAF (que ocorre em quase metade dos casos) receberam tratamento com as drogas-alvo dabrafenibe e trametinibe de forma contínua (padrão) ou intermitente (experimental). Ao contrário das expectativas, o uso contínuo resultou em maior tempo de controle da doença e maior intervalo para progressão do tumor, e se mantém como padrão.
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