Um grande estudo publicado no JAMA Network Open (https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2841333) trouxe evidências relevantes sobre a relação entre a hepatite C crônica e o risco de adenocarcinoma ductal pancreático, o tipo mais comum de câncer de pâncreas.
A pesquisa analisou dados de 6.330.856 veteranos atendidos pelo sistema de saúde dos Estados Unidos (Veterans Health Administration e Medicare), que realizaram testes para o vírus da hepatite C entre outubro de 2001 e setembro de 2020. A maioria dos participantes era do sexo masculino, com idade mediana de 61,6 anos, e todos foram acompanhados por pelo menos 18 meses.
Principais achados
Entre os mais de 6 milhões de indivíduos analisados, 3,9% apresentavam hepatite C crônica e 3,3% haviam sido expostos ao vírus. Ao longo do acompanhamento, 33.451 pacientes (0,5%) desenvolveram adenocarcinoma ductal pancreático.
Um dado importante foi a idade ao diagnóstico: pacientes com hepatite C foram diagnosticados mais cedo do que aqueles sem a infecção (idade mediana de 65,0 anos versus 72,4 anos).
Em relação ao risco:
– A infecção crônica pelo vírus da hepatite C esteve associada a um risco 1,76 vez maior de câncer de pâncreas.
– A exposição prévia ao vírus, mesmo sem infecção crônica, também mostrou aumento de risco (HR ajustado = 1,18).
– Todos os genótipos do vírus apresentaram associação com maior risco de câncer pancreático, com destaque para:
Genótipos mistos ou outros (HR = 2,18)
Genótipo 3 (HR = 2,02)
Genótipo 1 (HR = 1,75)
Genótipo 2 (HR = 1,35)
O que esses resultados indicam?
Segundo os autores, os achados sugerem que a hepatite C crônica pode ser um fator de risco potencialmente modificável para o câncer de pâncreas. Em outras palavras, identificar e tratar precocemente a infecção pode ter impacto não apenas hepático, mas também na prevenção de neoplasias extra-hepáticas.
Os pesquisadores destacam ainda que futuros estudos devem avaliar o impacto do tratamento antiviral com agentes de ação direta na redução desse risco, além de investigar os mecanismos biológicos que ligam a infecção crônica pelo vírus da hepatite C ao desenvolvimento do câncer pancreático.
Conclusão
Este estudo reforça a importância do rastreamento, acompanhamento e tratamento da hepatite C, ampliando o olhar para além das complicações hepáticas tradicionais. A relação observada com o câncer de pâncreas destaca a necessidade de atenção clínica contínua e de novas pesquisas para estratégias eficazes de prevenção e mitigação de risco.
Saiba mais: Entenda a relação da bactéria H. pylori e o câncer de estômago (hiperlink: https://oncoportal.com.br/entenda-a-relacao-da-bacteria-h-pylori-e-o-cancer-de-estomago/


