Desenvolvido com o propósito de ajudar os fumantes a largar o cigarro, os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF) acabaram atraindo mais jovens para o vício e os relatos de problemas de saúde causados por eles já começam a surgir na internet.
A preocupação dos especialistas é que, além do consumo de cigarro ter diminuído no Brasil nos últimos anos (dados do Ministério da Saúde apontam que o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais em nosso país é de 9%), a geração Z – pessoas nascidas entre o fim da década de 1990 e 2010, também conhecida como geração digital – seria a primeira com uma grande parcela de não fumantes graças às políticas e leis que vêm sendo aplicadas há anos pelo fim do tabagismo. Entretanto, o advento dos DEF entre os jovens pode colocar por terra toda essa estatística positiva: uma pesquisa realizada em 2022 pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) descobriu que um em cada cinco jovens brasileiros fuma cigarro eletrônico.
Cigarro eletrônico aumenta o risco de experimentação de outros produtos de tabaco
Segundo o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), cerca de 6 milhões de adultos fumantes afirmam já ter experimentado cigarro eletrônico, representando 25% do total de fumantes de cigarros industrializados. Em 2021, um estudo do INCA (Instituto Nacional de Câncer) indicou que o cigarro eletrônico aumenta as chances de a pessoa que nunca fumou iniciar o uso do cigarro tradicional. De acordo com o estudo, “o cigarro eletrônico aumenta mais de três vezes o risco de experimentação do cigarro convencional e mais de quatro vezes o risco de uso do cigarro tradicional.”
O problema é preocupante. Tanto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta sobre os riscos do uso da nicotina em menores de 20 anos e o fato de que “o uso de cigarros eletrônicos pode levar crianças e adolescentes a usarem outros produtos de tabaco.”
Também publicado pelo INCA, um documento demonstrou que há risco de uma maior exposição às substâncias contidas nos DEF, pois a duração média de uma tragada no cigarro eletrônico é significativamente maior quando comparada aos cigarros manufaturados – 4,3 segundos contra 2,4 segundos, respectivamente. Ainda segundo o Instituto, os “dispositivos eletrônicos para fumar, como o cigarro eletrônico, contêm substâncias tóxicas que causam câncer, doenças respiratórias e cardiovasculares. Nenhum dispositivo eletrônico para fumar é seguro.”
Um moderno e perigoso risco à saúde
A geração Z, nascida em ambiente digital e acostumada aos gadgets modernos, acaba vendo nos DEF algo interessante e descolado para usar em grupo, sem saber dos riscos que corre ao utilizá-los.
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), tanto os cigarros eletrônicos como os convencionais, de tabaco, resultam em riscos para a saúde. “A abordagem mais segura é não usar nenhum deles. Os níveis de risco associados à utilização de vapes ou produtos do tabaco podem variar de acordo com uma série de fatores, incluindo o tipo e as características do produto, como os produtos são usados, a frequência de uso, como são fabricados, quem está usando o produto e se as características do produto são manipuladas no pós-venda.”
A comercialização, importação e propaganda dos DEF são proibidas no Brasil por meio da Resolução de Diretoria Colegiada da Anvisa, a RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009 (leia aqui), que se baseou na falta de dados científicos que comprovassem as alegações atribuídas aos produtos. Porém, infelizmente, muitos jovens utilizam os dispositivos livremente e sem preocupações em festas e locais públicos.
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